ANO I

Alunos vêem Enem como forma de acesso ao ensino superior PDF Imprimir E-mail
07-Abr-2008
Foto: Rodrigues PozzebornMais de 70% dos estudantes que participam do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) se inscrevem na prova para entrar em uma faculdade ou conseguir pontos para o vestibular. Apenas 15% estão interessado em testar conhecimentos e a capacidade de raciocínio. Foi o que concluiu uma pesquisa informal do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas em Educação Anísio Teixeira (Inep), responsável pelo exame.

A nota obtida pelo estudante no Enem é utilizada pelo Programa Universidade Para Todos (ProUni) como critério de seleção para concessão de bolsas de estudo em instituições privadas de ensino superior. O benefício é concedido a quem cursou todo o ensino médio em escola pública.

Rodolpho Lopes é aluno do 3° ano de uma escola pública no Distrito Federal. Ele diz que vê o Enem mais como uma chance de conseguir uma vaga no curso de matemática. “Agora a gente estuda para o vestibular e o Enem. Vou pegar a prova dos últimos anos para estudar, treinar”, conta.

A estudante Luana Dias tem a mesma opinião: “Infelizmente, lá em casa a gente não tem condições de pagar uma faculdade particular, então eu vou estudar muito para o Enem”, afirmou.

Para o diretor de Avaliação da Educação Básica do Ministério da Educação, Amaury Gremaud, essa mudança no perfil do exame não é negativa.

“O Enem passou a ser também uma ferramenta de inclusão, são coisas novas que a gente acabou adquirindo ao longo do caminho. Talvez, originalmente, esse não fosse um objetivo principal, mas passou a ser um componente importante”, defende. Ele ressalta que mesmo com o ProUni, há ainda um percentual considerável de alunos que fazem a prova para testar seus conhecimentos, objetivo inicial do exame.

Atentos ao aumento da procura pelo exame, alguns cursos pré-vestibulares já oferecem aulas preparatórias para a prova. Na avaliação do coordenador-geral do Enem, Dorivan Gomes, o perfil da prova é diferente e incompatível com a metodologia dos cursinhos.

“A gente faz uma avaliação da educação básica como um todo, de todo o percurso da pessoa, isso você não faz em três meses”, explica.

Amanda Cieglinski Repórter da Agência Brasil

 

 

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